terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ricordanza della mia gioventú

CASA DA AMA DE LEITE GUILHERMINA
 
A minha ama-de-leite Guilhermina
Furtava as moedas que o Doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha mãe, ralhava...
Via naquilo a minha própria ruína!


Minha ama, então, hipócrita, afetava
Susceptibilidades de menina:
"- Não, não fora ela -" E maldizia a sina,
Que ela absolutamente não furtava.
 
Vejo, entretanto, agora, em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito...
Tu só furtaste a moeda, o oiro que brilha...


Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para a tua filha!
                             

                                                                (Augusto dos Anjos)
 

3 comentários:

  1. Augusto é simplesmente fantástico. Foi o primeiro poeta que eu gostei de verdade.

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  2. AUGUSTO DOS ANJOS
    Paulo Gondim
    17/02/2011

    Da Paraíba ao Rio de janeiro
    Um poeta único, por inteiro
    Vida curta, porém intensa
    Um único amor que se fez dor
    Que de mais rico era o que tinha
    Por preconceito da mãe
    Viu-o morrer de uma surra
    Sua amada “Francisquinha”

    A quem amaria mais?
    Impossível, só à poesia
    Que o fez com maestria
    Além de seu tempo
    Ninguém o compreendia
    Em 1900, já falava de ecologia

    Fez versos de seu próprio íntimo
    Cantou miseráveis quimeras
    Morreu moço, foi sua sina
    Repousa em terra abençoada
    De Minas a mais ensolarada
    A querida e bela Leopoldina

    Em toda vida de poeta, único Livro
    “EU e outros sonetos”
    Para muitos, um bruxo, o mais lido
    Esquisito, soturno no dia a dia
    Perplexo diante dele e da palavra fria
    Como discípulo, assino minha ficha
    E entro de vez em sua confraria

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  3. AUGUSTO DOS ANJOS
    Paulo Gondim
    17/02/2011

    Da Paraíba ao Rio de janeiro
    Um poeta único, por inteiro
    Vida curta, porém intensa
    Um único amor que se fez dor
    Que de mais rico era o que tinha
    Por preconceito da mãe
    Viu-o morrer de uma surra
    Sua amada “Francisquinha”

    A quem amaria mais?
    Impossível, só à poesia
    Que o fez com maestria
    Além de seu tempo
    Ninguém o compreendia
    Em 1900, já falava de ecologia

    Fez versos de seu próprio íntimo
    Cantou miseráveis quimeras
    Morreu moço, foi sua sina
    Repousa em terra abençoada
    De Minas a mais ensolarada
    A querida e bela Leopoldina

    Em toda vida de poeta, único Livro
    “EU e outros sonetos”
    Para muitos, um bruxo, o mais lido
    Esquisito, soturno no dia a dia
    Perplexo diante dele e da palavra fria
    Como discípulo, assino minha ficha
    E entro de vez em sua confraria

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